Como na música de Renato Russo, "Quem é o inimigo? Quem é você?", deveríamos respirar um pouco mais antes de apontar para ele. O sistema de tráfico de drogas é imediatamente simbolizado na figura do traficante da favela, pelo espaço do outro, pelo resíduo social. Um sistema que possui sua principal base econômica no consumidor e no produtor, mas que é imaginado e "demonizado" apenas pela figura do intermediário, do traficante.As mídias, assim como a classe dominante (representada fielmente pela classe média), construíram um discurso maçante e feito para a massa. Uma maneira de fazer até os próprios moradores pobres entenderem que o traficante é o verdadeiro mal da sociedade.O sensacionalismo da mídia em conjunto com o medo da “favela descer pra pista” do imaginário burguês resultou em um pânico mundial sobre as atuais queimas de veículos na cidade. Apesar do discurso hegemônico e errôneo, baseado no “vamos acabar com os traficantes”, é fácil perceber que até mesmo no ponto central desta falácia e nas atividades do governo (apoiado pela burguesia e pela mídia), tentando exumar o tráfico com a polícia, existem grandes problemas.Primeiro. Mesmo nas UPPs existentes há o tráfico de drogas, em menor fluxo, porém ainda é um fato em permanência (comprovado em minha atual pesquisa). Segundo. A grande massa de consumidores de drogas (com alto poder aquisitivo) se localiza na zona sul e na zona oeste. Haverá apenas uma mudança na estrutura de abastecimento. Provavelmente ocorrerá um crescimento no número de intermediadores e um encarecimento das drogas nestas regiões. O problema do intermediador ainda existirá na cidade do rio, só que não mais enraizado nas comunidades.De fato, o rio se transformou em lugar de disputas entre UPPs, Comando Vermelho, ADA, Milícia. Uma quebra de braços entre a indústria do turismo e do comércio (UPP), a indústria das drogas e armas (CV e ADA) e a instituição corrompida do estado (Milícia). Já percebemos acima, assim como no email aqui sendo respondido, que a primeira e a ultima facção já demonstram sua capacidade de substituir os traficantes das favelas.E agora? O que resta?Apenas executar os últimos resquícios do antigo modelo de distribuição de drogas, ao som dos aplausos da população alienada e da alienante. Este é o show da cidade do Rio de Janeiro e como um bom filme de suspense, ainda resta um frio na barriga para saber o final disso tudo.
Entrevista mais aprofundada sobre a atual situação no Rio de Janeiro. (http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=38721)
Eu achava que com o Tropa de Elite 2 as pessoas iriam compreeender que o problema das dorgas não consiste na figura do traficante. Não demorou muito pra que eu percebesse o tamanho da minha ilusão.
ResponderExcluirFico alarmada em ver o poder que a mídia tem em persuadir as pessoas (e enganá-las) em relação a este assunto. Matar um traficante parece, segundo a imprensa, ser a melhor solução, como se no dia seguinte algum outro jovem não fosse substituir o defunto. A polícia sobe o morro em busca de drogas, mas os usuários "filhinhos de papai" continuam tranqüilos em suas casas na Zona Sul. Enquanto houver quem compre, haverá quem venda.